Domingo, 13 de Fevereiro de 2011

Another Year: porquê?


Another Year de Mike Leigh é um analisador epistémico da injustiça que por vezes os Óscar demonstram. E se o digo, é por duas razões.

1) Em primeiro lugar, porque o comparo, inevitalmente, ao The kids are all right. Um filme mediano, cujo género se constroi entre o drama e a comédia, com interpretações agradáveis de uma família moderna. Mas o filme não passa disso e acaba por ser olvidável.

2) Em segundo lugar, porque Another Year, por si só e na sua essência, é um filme de ligações humanas que, num ir e voltar de emoções, nos permite objectivar os significados que cada personagem atribui ao quotidiano onde age e reage. Para uns, a vida é o encanto da rotina, onde, em cada estação, se planta na terra o reflorescer do amor, da união e da felicidade. Para outros, a morte é a apatia da vida, do ser e do não ser, do ter que continuar. E, para ela, a euforia é limite da tristeza, da procura incessante de estabilidade e, no fundo, da busca da normalidade. A esperança de um dia melhor.

E, Another Year, é isto. Um misto de alegria, paixão e depressões que se alinham, de modo cru e realista, numa estrada de contrastes. E, de forma impressionante, a aparente falta de ritmo tem em nós um efeito devastador.
Um ano mais, igual a tantos outros... Another Year, um filme extraordinario.

Nomeado para melhor argumento original. Apenas e só...

2 comentários:

joao amorim disse...

dos filmes que ainda não vi que mais quero ver...

cumps

Neuroticon disse...

Os Oscars são a maior injustiça de sempre... eu concordo com aquela máxima de que os prémios deveriam ser dados 10 anos depois!
Uma obra artística tem de maturar com o tempo ;)

Este pode ser um injustiçado, mas quanto a mim, o maior este ano será mesmo Shutter Island!